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segunda-feira, 17 de março de 2014

Semana da Poesia



Nesta semana, que hoje começa, vamos iniciar um tributo à língua portuguesa que terminará no dia 4 de abril!

Partilhamos de Manuel Alegre, um poema de elogio da língua portuguesa, poema este que foi tema da comunicação apresentada no Programa Cultural da Expolíngua, em Madrid, em março de 2003.

Eu creio que pela mediação da poesia
os poetas fundaram os povos.
E os povos fundaram a língua.
E a língua fundou as nações.
Língua de viagem e mestiçagem,
como gosta de dizer o meu amigo Manuel Rui.1
Rio de muitos rios.
E talvez pátria de várias pátrias.
Sem esquecer que há o português da opressão
e o português da libertação.
O português de múltiplas tiranias
e o português das várias resistências.
A língua é a mesma. Mas não é a mesma.
É una. Mas é diversa.
Tanto mais ela quanto mais diferente.
Tanto mais pura quanto mais impura.
Tanto mais rica quanto mais mestiça.

1Manuel Rui Alves Monteiro, escritor angolano.

domingo, 16 de março de 2014

Semana da poesia... cantando!


Na voz de Luís Represas

SER POETA
Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos os esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Paulo Bragança - Na Ribeira Deste Rio





Paulo Bragança canta um poema de Fernando Pessoa.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A poesia que partilhamos na sala de aula

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

No âmbito da atividade Flashes de leitura...

Os alunos de todas as turmas da Escola Básica da Mota partilharam um poema de Miguel Torga.

Também no nosso blogue partilhamos outro poema deste grande escritor da nossa Língua.


História Antiga
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Antologia Poética
Coimbra, Ed. do Autor, 1981

Feliz Natal são os desejos sinceros dos elementos da equipa escolar da Mota.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Um poema que acompanhou Nelson Mandela... "e sou o capitão da minha alma."


I am the captain of my soul...

"INVICTUS

Do fundo desta noite que persiste 
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."

William Ernest Henley

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia Mundial da poesia

Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de março, foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999.
O propósito deste dia é promover a leitura, a escrita, publicações e o ensino da poesia através do mundo.

Assim, partilho um poema maravilhoso escrito por Florbela Espanca.

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

sexta-feira, 15 de março de 2013

A Nau Catrineta

Lá vem a nau Catrineta


Que tem muito que contar!

Ouvide, agora, senhores,

Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia

Que iam na volta do mar

Já não tinham que comer,

Já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho

Para o outro dia jantar;

Mas a sola era tão rija

Que a não puderam tragar.

Deitaram sorte à ventura

Qual se havia de matar;

Logo foi cair a sorte

No capitão general.

-- Sobe, sobe, marujinho,

Àquele mastro real,

Vê se vês terras de Espanha,

As praias de Portugal.

"Não vejo terras de Espanha,

Nem praias de Portugal;

Vejo sete espadas nuas

Que estão para te matar".

-- Acima, acima gajeiro,

Acima ao tope real!

Olha se enxergas Espanha,

Areias de Portugal

"Avíçaras, capitão,

Meu capitão general!

Já vejo terra de Espanha,

Areias de Portugal.

Mais enxergo três meninas

Debaixo de um laranjal:

Uma sentada a coser,

Outra na roca a fiar,

A mais formosa de todas

Está no meio a chorar".

--Todas três são minhas filhas,

Oh! quem mas dera abraçar!

A mais formosa de todas

Contigo a hei-de casar.

"A vossa filha não quero,

Que vos custou a criar".

-- Dar-te-ei tanto dinheiro,

Que o não possas contar.

"Não quero o vosso dinheiro,

pois vos custou a ganhar!

-- Dou-te o meu cavalo branco,

Que nunca houve outro igual.

"Guardai o vosso cavalo,

Que vos custou a ensinar".

--Dar-te-ei a nau Catrineta

Para nela navegar.

"Não quero a nau Catrineta

Que a não sei governar".

-- Que queres tu, meu gajeiro,

Que alvíçaras te hei-de dar?

"Capitão, quero a tua alma

Para comigo a levar".

-- Renego de ti, demônio,

Que me estavas a atentar!

A minha alma é só de Deus,

O corpo dou eu ao mar.

Tomou-o um anjo nos braços,

Não o deixou afogar.

Deu um estouro o demônio,

Acalmaram vento e mar;

E à noite a nau Catrineta

Estava em terra a varar.


Desenho elaborado pela aluna Beatriz Pires,nº 1 do 5º C

Poema escrito por aluno do 8º A

terça-feira, 12 de março de 2013

A nossa Biblioteca...

É oceano de magia, palavras,imagens que nos fazem sonhar com o mar...

A poesia paira no ar.

Partilhamos aqui  alguns poemas feitos pelos nossos alunos ...



a…MAR O MAR




O mar…

É bonito…

Grande como o meu coração!

É azul

Como as asas de um pássaro mágico

É profundo

E tem ondas que fazem sons únicos

Os seus peixes…

Gostam de brincar na água!

Os barcos navegam sem parar…

Procuram peixe para alimentar a nossa boca

Que tanto diz o… MAR.


Cátia Patrícia Araújo Pires, ALUNA DO  5º A


Poema sobre o Mar



Os barcos rasgam o mar

Tal como os aviões rasgam o céu

Com isto tudo junto

Há um grande troféu

Que ele trouxe para a areia

Um búzio bonito

Que tem um segredo

Em que eu acredito.

Lá dentro, escondido

Ouço alguém a chamar…

Pondo-o ao ouvido

Ou escuto a voz do mar.

O mar, o sol

E a praia inteira

Guardados num búzio

E este está na minha algibeira.


Poema escrito por Lívia Santos, aluna do 5º A


segunda-feira, 11 de março de 2013

Um poema que é ponto de partida para a semana da leitura

Em todas as salas após o intervalo das 10h os alunos  escutaram ou leram o poema de Álvaro Magalhães

 

A ilha do tesouro

O meu tesouro é um livro
de folhas gastas, dobradas,
onde ainda brilha o ouro
de palavras encantadas:
guinéus, luíses, dobrões.
Se o abro, à noite, no quarto,
levanta-se um vento leve
que enfuna os lençóis da cama;
cheira a sal, ouvem-se as ondas,
salpicos de espuma volteiam no ar.
Mas já não voam as palavras que voavam
e me arrastavam prò o mar,
o grande mar que é muitos e só um.
Por mais que escute já não ouço
a canção dos marinheiros:
Dez homens em cima da mala do morto…
Iou, ou, ou, e uma garrafa de rum…
Antigamente era outra essa viagem
e era eu o rapaz da estalagem.
Escondido na barrica das maçãs,
escutava o taque-taque
do homem da perna só
e as conversas dos piratas
que passavam no convés:
Com quarenta homens nos
fizemos ao mar,
mas só um, afinal,
se conseguiu salvar.
Faca de punho rachado,
bússola, sabre,
telescópio de latão.
Só o rum é que podia
derrubar o capitão;
mas agora ele está morto
e tem duas moedas de prata
no sítio dos olhos,
um buraco para os peixes
no lugar do coração.
O mar também é abismo
e assombro e perdição.
Com mil diabos!
Icem já a vela mestra,
seus patifes de uma figa!
Já chega de beber rum
e de coçar a barriga.
Depressa! Está na hora de arribar!
Mesmo em frente há uma ilha
que cresceu durante a noite
do outro lado do mar.
Tragam o mapa de Flint,
limpem o pó dos canhões,
sintam o cheiro do ouro.
O vento nos levará
para a ilha do tesouro.
Para a ilha do tesouro!
As palavras que me levem
para a ilha do tesouro
e seja ela onde for.
Quero os meus lábios gretados
pelo sal, pelo calor,
como no tempo em que era jovem
e andava no mar
e era o tempo melhor.
Que aconteceu? Quem sou eu?
Quem lê o livro não é quem o leu?
Onde está o mapa
do tesouro que me deste?
Três cruzes a vermelho,
duas a norte, uma a sudeste.
Agora abro o livro
e não acontece nada.
A minha noite é só medo e frio,
uma terra ressequida
batida por mar nenhum.
Por mais que escute já não ouço
a canção dos marinheiros:
Dez homens em cima da mala do morto…
lou, ou, ou, e uma garrafa de rum.

O Limpa-palavras e outros poemas
, Álvaro Magalhães

quinta-feira, 7 de março de 2013

PoeMÁRio

Seleção de poemas sobre o mar no Centro Virtual Camões