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quarta-feira, 11 de maio de 2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

terça-feira, 8 de março de 2016

Um poema de Camões a uma mulher que o deixou cativo: Bárbara

Endechas a Bárbara escrava

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

U~a graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.
Luís de Camões

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Teixeira de Pascoaes - "Elegia do Amor"




TEIXEIRA DE PASCOAES - "ELEGIA DO AMOR"

"Elegia do Amor

Lembras-te, meu amor, 
Das tardes outonais, 
Em que íamos os dois, 
Sozinhos, passear, 
Para fora do povo 
Alegre e dos casais, 
Onde só Deus pudesse 
Ouvir-nos conversar? 
Tu levavas, na mão, 
Um lírio enamorado, 
E davas-me o teu braço; 
E eu, triste, meditava 
Na vida, em Deus, em ti... 
E, além, o sol doirado 
Morria, conhecendo 
A noite que deixava. 
Harmonias astrais 
Beijavam teus ouvidos; 
Um crepúsculo terno 
E doce diluía, 
Na sombra, o teu perfil 
E os montes doloridos... 
Erravam, pelo Azul, 
Canções do fim do dia. 
Canções que, de tão longe, 
O vento vagabundo 
Trazia, na memória... 
Assim o que partiu 
Em frágil caravela, 
E andou por todo o mundo, 
Traz, no seu coração, 
A imagem do que viu. 

Olhavas para mim, 
Às vezes, distraída, 
Como quem olha o mar, 
À tarde, dos rochedos... 
E eu ficava a sonhar, 
Qual névoa adormecida, 
Quando o vento também 
Dorme nos arvoredos. 
Olhavas para mim... 
Meu corpo rude e bruto 
Vibrava, como a onda 
A alar-se em nevoeiro. 
Olhavas, descuidada 
E triste... Ainda hoje escuto 
A música ideal 
Do teu olhar primeiro! 
Ouço bem tua voz, 
Vejo melhor teu rosto 
No silêncio sem fim, 
Na escuridão completa! 
Ouço-te em minha dor. 
Ouço-te em meu desgosto 
E na minha esperança 
Eterna de poeta! 
O sol morria, ao longe; 
E a sombra da tristeza 
Velava, com amor, 
Nossas doridas frontes. 
Hora em que a flor medita 
E a pedra chora e reza, 
E desmaiam de mágoa 
As cristalinas fontes. 
Hora santa e perfeita, 
Em que íamos, sozinhos, 
Felizes, através 
Da aldeia muda e calma, 

Mãos dadas, a sonhar, 
Ao longo dos caminhos... 
Tudo, em volta de nós, 
Tinha um aspecto de alma. 
Tudo era sentimento, 
Amor e piedade. 
A folha que tombava 
Era alma que subia... 
E, sob os nossos pés, 
A terra era saudade, 
A pedra comoção 
E o pó melancolia. 
Falavas duma estrela 
E deste bosque em flor; 
Dos ceguinhos sem pão, 
Dos pobres sem um manto. 
Em cada tua palavra, 
Havia etérea dor; 
Por isso, a tua voz 
Me impressionava tanto! 
E punha-me a cismar 
Que eras tão boa e pura, 
Que, muito em breve — sim! 
Te chamaria o céu! 
E soluçava, ao ver-te 
Alguma sombra escura, 
Na fronte, que o luar 
Cobria, como um véu. 
A tua palidez 
Que medo me causava! 
Teu corpo era tão fino 
E leve (oh meu desgosto!) 
Que eu tremia, ao sentir 
O vento que passava! 
Caía-me, na alma, 
A neve do teu rosto. 

Como eu ficava mudo 
E triste, sobre a terra! 
E uma vez, quando a noite 
amortalhava a aldeia, 
Tu gritaste, de susto, 
Olhando para a serra: 
— Que incêndio! — E eu, a rir, 
Disse-te — É a lua cheia!... 
E sorriste também 
Do teu engano. A lua 
Ergueu a branca fronte, 
Acima dos pinhais, 
Tão ébria de esplendor, 
Tão casta e irmã da tua, 
Que eu beijei sem querer, 
Seus raios virginais. 
E a lua, para nós, 
Os braços estendeu. 
Uniu-nos num abraço, 
Espiritual, profundo, 
E levou-nos assim, 
Com ela, até ao céu 
Mas, ai, tu não voltaste 
E eu regressei ao mundo."


Teixeira de Pascoaes, in 'Prosa e Poesia'

terça-feira, 1 de abril de 2014

Chá, Poesia e Ciência

Momento alto da Semana da Leitura! A biblioteca transformou-se! Encheu-se de camélias, velas, poesia e música! As professoras de Matemática, Ana Alegre, Filomena e Maria José, a professora Filipa de Português, a formadora Susana e os alunos dos Cursos Profissionais de APS e TRB surpreenderam-nos e proporcionaram-nos uma tarde fantástica de homenagem à poesia e à música! Foi uma verdadeira Festa da Leitura e uma grande homenagem aos poetas de língua portuguesa! Direção, docentes, serviços administrativos e alunos partilharam poesia, declamando, cantando ou tocando.
No final de cada uma das sessões, foi servido, a todos os participantes, um delicioso chá acompanhado de bolinhos deliciosos!
Obrigado a todos, pela participação, empenho e generosidade!





segunda-feira, 24 de março de 2014

Vamos votar

Depois da Semana da Poesia, chegou a hora de eleger o poema de que mais gostaste! Vem votar!


A nossa árvore do dia da poesia

A nossa árvore que decora um espaço escolar, que comemorou o seu dia  e a poesia!


 Alguns dos ovos que os alunos dos vários anos e turmas ilustraram e cujas palavras se tornaram "mágicas".

Parabéns a todos os alunos e professores que se envolveram nesta atividade e em todas as que decorreram durante a semana que lembrou o mundo  lusófono da poesia.
Obrigada e parabéns. 


quarta-feira, 19 de março de 2014

O nosso mural das "nossas fotos com os livros valem um sorriso" e as exposições na nossa biblioteca escolar


Na nossa biblioteca está patente uma exposição de livros de poesia e livros antigos de escritores de Língua portuguesa (estes últimos foram cedidos pela biblioteca municipal).
Mas a grande sensação são os poemas escritos por antigos alunos que frequentaram a nossa escola!

 Também convidamos  os alunos a votarem num poema, de modo a elegermos os poetas mais queridos na nossa escola.

A poesia desperta...

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
 
Charles Chaplin escreveu...

Amália Rodrigues cantou Camões


terça-feira, 18 de março de 2014

Um poema escrito por um aluno do 6º ano



       A autobiografia de um poeta

Eu era um menino
Que brincava sempre sozinho.
Gostava de ler e de escrever
Mas, p`ra além disso, mais nada podia fazer.

Procurei alguém para brincar,
Mas ninguém comigo queria falar.

Não entendia porque não queriam brincar comigo,
Pois só queria um amigo!

De tanta solidão ter,
Ouvi alguém na porta a bater.
Fui abrir
Até me pareceu que era alguém a fugir
Mas não era ninguém
Era a minha cabeça a tentar ter alguém.

Agora cresci,
E agora vi
Que o mundo é um tesouro
Onde há ouro
Amigos,
E inimigos
A quem devemos perdoar
A quem não devemos acusar,
Porque um amigo é uma pedra preciosa ao luar
Podemos ter um amigo p`ra andar de bicicleta
Ou por redigir um poema, ser poeta.

Carlos Daniel Carvalho Gonçalves, 6º I

Ana Moura /** Vaga no Azul**/





Hoje lembramos Fernando Pessoa!
Um poeta português amado em todo o mundo e traduzido para várias Línguas.
A poesia enquanto ferramenta que une civilizações e que quebra barreiras!